quinta-feira, 4 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Poderia ser diferente
Minhas lágrimas escorrem por não poder mais te trazer para perto de mim, para o aconchego do meu abraço e pelo amor que vivemos.
Tudo poderia ter sido diferente e presente, sem culpa do passado e sem especulação do futuro.
Tudo o que carrego são lembranças de um amor mal resolvido, mal contestado, mal orientado por nós mesmos.
Não podemos de maneira nenhuma esquecer algo que marcou tão profundamente em nossas vidas, em alguma parte de nosso passado.
Não posso dizer que te esquecerei, pois algum dia fez parte da minha vida, mesmo que por pouco tempo.
Foi suficiente para deixar marcas das quais não podemos tirar assim de uma história.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Seu olhar
Imagem do Google
Me perdi no infinito do seu olhar e não queria mais voltar, pois lá não tinha como sentir dor e medo de perder-te.
Me perdi na cor deles e sem chances de voltar, lá era claro e transparente, sem mentiras.
Me perdi porque também queria ficar perdida e não voltar para a realidade nua e crua.
Como é o infinito quero acreditar em não querer voltar.
Posso me perder na realidade que encontrei no seu olhar o mais terno e doce amor...
Mas a realidade nos acorda e tenho que voltar!
Bel Rech
domingo, 30 de setembro de 2012
Antes que elas cresçam
Cheguei neste blog Turquezza Variedade e achei lindo esse texto e trouxe para apreciarem...Aproveitem!!
É que as crianças crescem. Independentes de nós como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, Elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços os disparos dos discursos e o assalto das estações elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.
Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali na porta da discoteca esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio lindas potrancas.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas lá estão elas com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou então com a suéter amarrado na cintura. Está quente a gente diz que vão estragar o suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.
Pois ali estamos depois do primeiro e do segundo casamento com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão as mães às vezez, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.
O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.
Affonso Romano de Sant'Anna
sábado, 29 de setembro de 2012
Na arte do amor
O amor é uma arte e buscamos constantemente deixá-lo perfeito.Como todo artista sempre vai ver algo que está faltando, que não está bem definido, que falta algo a mais.
Mas o que os meus olhos veem, outros olhos verão diferente.
A minha perfeição pode ser torta.Ser redonda ou até mesmo quadrada.
Tudo depende de quem consegue olhar com amor, sem perceber a perfeição do artista.
Eu procuro buscar a arte do amor em pequenas coisas do nosso dia.
Quando o sol está brilhando, quando a chuva molha as plantas, quando me sinto em paz!
É uma arte, é só buscar!
Bel Rech
domingo, 23 de setembro de 2012
Seu cheiro
Passei pelo corredor e senti seu cheiro...tinha certeza que tinha voltado!
Entrei quarto à dentro te buscando e nada...
As cortinas mexiam-se suavemente pelo vidro entreaberto, era dali que vinha seu cheiro que já não estaria entre os lençóis macios de nossa cama.
Percebi que seu cheiro ficaria por muito tempo por ali, mas não percebi que não o teria mais.
Quando foste embora, deixastes claro que não voltaria, que tudo tinha acabado e que tudo fora ilusão de sua parte.
E de minha parte foi muito real e absurdamente incontrolável o amor que sentia e ainda insiste em existir por um alguém que nunca merecerá esse amor.
Mas quem controla o que vai dentro do coração?
Não tem nenhum botão que desliga quando alguém parte de nossas vidas, deixando um vazio, somente o cheiro único e altamente perigoso.
Fechei a janela e voltei pelo mesmo corredor e já não sentia mais seu cheiro...
Bel Rech
sábado, 22 de setembro de 2012
Sinto...
Sinto, nos lugares onde a pele da alma se torna mais sensível, o efeito nocivo de palavras ditas sem cuidado, lançadas ao vento como se não possuíssem peso, nem espinhos.
Se quem fala soubesse a potência do veneno que certas frases podem carregar consigo…
Frases vomitadas, literalmente, em pessoas escolhidas sabe-se lá como.
Equilibrista que sou ( e que somos todos nós), tenho andado sobre linhas finas e irriquietas, oscilando entre quedas e equilíbrios, em luta constante para além de me manter respeitosamente de pé, ir adiante.
Quando finalmente consegui encontrar um ritmo para prosseguir de forma mais ou menos segura, surgiu alguém que se escondia por detrás de alguma escuridão e me jogou palavras dolorosas que me enfraqueceram. Um desânimo tão grande que é quase um recomeço, como vários outros que enfrentamos pela vida.
Que Deus proteja os lábios que dizem sem pensar.
Que um dia eles compreendam que muito mais grandioso do que aparecer aos olhos dos homens é não ferir!
No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo delicioso de se sentir que escorregava de dentro da gente e se esparramava no sorriso. Escapulia no olhar. Cantava no silêncio. Fazia florescer pés de sol no tempo encantado em que estávamos juntos. Dispensava nomes e entendimentos. Havia algo que tinha um cheiro inconfundível de alegria. De vida abraçada. De chuva quando beija a aridez. De lua quando é cheia e o céu diz estrelas. Um cheiro da paz risonha do encontro que é bom.
Ana Jácomo
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