sexta-feira, 20 de julho de 2012

Há amigos




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Há amigos eternos, amigos que são de pele e outros que são de ferro.Há amigos do tempo da escola, do trabalho, da universidade, da tropa.Amigos que se fazem, outros que se elegem e os amigos que se adotam.Há amigos da alma, do coração, de sangue.Há amigos de vidas passadas, amigos para toda a vida. Amigos que são mais que amigos.Há amigos que são como irmãos, outros que são como pais... também há amigos que são como filhos.
Há amigos que estão conosco nos bons momentos e outros que estão sempre conosco.

Há amigos que se veem, outros que se tocam, outros que se escrevem.
Há amigos que se vão embora, que nos deixam, amigos que voltam e outros que ficam.
Há amigos imortais e amigos de distância.
Há amigos que se estranham, que se choram, que se pensam. Amigos que se desejam, que se abraçam, que se admiram.
Há amigos da noite, das sestas e da madrugada.
Há amigos homens, amigas mulheres, amigos cães.
Há amigos que deliram, outros que são poetas. Há os que dizem tudo e os que não dizem nada.
Amigos novos, amigos velhos e velhos amigos.
Há amigos sem idade, amigos gordos, magros.
Há amigos que nos chamam, outros que nem sequer os chamamos.
Amigos de pouco tempo, amigos de há uma hora, recentíssimos.
Há amigos que deixamos que se vão, outros que não podem vir, amigos que são ativos e outros amigos de barro.
Há amigos de palavra, amigos incondicionais.
Há também amigos invisíveis, amigos sem lugar, amigos da rua.
Também há amigos que têm muito valor, amigos que pesam, amigos que são... amigos meus, amigos teus, amigos nossos.

Há muitos amigos: amigos comuns, amigos do teatro, da música, amigos de verdade.
Há amigos que estão tristes, outros que estão alegres, outros que simplesmente não estão.

Há amigos que estão na lua, outros com os pés na terra e outros no céu.
Todos, absolutamente todos os amigos, têm algo em comum: são indispensáveis!!
Nunca te esqueças...
Ah!!! esquecia-me de te dizer que tambem há amigos como VOCÊ, que te tenho sempre no coração.

Hector José




domingo, 15 de julho de 2012

Blogagem Coletiva 5ª Fase - Reintegração




Vida
Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.
Amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial 
(e acabei perdendo).
Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida.
E você também não deveria passar!
Viva!!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é MUITO para ser insignificante.

- Augusto Branco -

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Meia Veia - Lar Santa Bárbara




Imagem autorizada 

Hoje visitamos o Lar Santa Bárbara  que fica em Sapucaia do Sul-RS, onde vivem 06 idosas e 18 idosos com a Coordenação de três irmãos.
Fomos recebidos pela Sra. Edi que nos mostrou as dependências do Lar, que carece de muita ajuda.
Vivem de doações e somente três dos idosos recebem visita das famílias e o restante apenas deixam lá e nunca mais aparecem.
Recebem muitas doações de alimentos e roupas, mas carecem de produtos de limpeza e higiene.No momento precisam também de camas e colchões.
É gratificante fazer as doações do Projeto Meia Veia, de poder fazer um pouquinho, como disse uma amiga, é uma gota no oceano e tenho certeza que é.
Pois, a Sra.Edi mantém o Lar com mais dois irmãos e tem muito amor no coração, não é fácil ver a situação e se manter nela todos os dias da semana, meses e anos.
Isso sim é doar-se de maneira integral.Saímos de lá com todos os pensamentos possíveis, que reclamamos por muito quando existem pessoas que não reclamam por quase nada.
É sempre uma lição e um aprendizado quando nos deparamos com essas situações.
Peço a Deus que ilumine essas pessoas para que possam seguir com saúde a iluminar o caminho dessas pessoas que tanto necessitam.
Aos amigos que me apoiaram e doaram meias e tempo...Deus os abençoe!

LAR SANTA BÁRBARA
Rua:Taquara 48- Walderez
Sapucaia do Sul-RS
Fone:(051) 34537793(Everaldo/Edi)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

É o que eu penso

Imagem do Face

Em todo esse tempo de blogueira e nas redes sociais, pesquisando, lendo,compartilhando e aprendendo me deparei com essa frase e imagem no facebook, que foi a que mais gostei e que fala tudo aquilo que gostaríamos de dizer, que pensamos e que me incluo nela também, pois sou uma "pessoa" que erra, que pensa, que fala, que tem sentimentos que nos mudam, que manipulam e que nos ensinam e que arriscamos.
Sempre queremos a verdade, mas quem definitivamente mostra realmente seu verdadeiro eu?
Tem que ser muito transparente mesmo.
Outro dia teve uma polêmica por estes lados e coloquei o que pensava e assumi minha atitude a até escrevi em algumas postagens sobre julgar, condenar e absolver.Doeu em muitas pessoas a minha opinião.
Mas a minha verdade não é a verdade do outro, as pessoas deveriam pensar assim.O que pode não ser para mim, pode servir para os demais e assim vice-versa.Tranquilo até aqui, desde que não machuque ninguém.Tem muitas pessoas que gostam de apontar a sua bandeira e somente as delas estão brancas e as demais que tem e levantam suas bandeiras estão sujas.Para mim isso é hipocrisia.Apontar para os demais é fácil, mas rever sua postura e suas próprias atitudes é completamente difícil.
Ver-se nitidamente no espelho, de vez em quando é bom.Eu me olho sempre e sei claramente o que sou, o que penso eu falo, não fico imaginando nada...
Assim sou, com erros, com frustrações, com decepções, com amarguras, mas sei me posicionar e tenho opinião formado sobre o que falo.
Mas também tem o meu outro lado que respeito o que o outro fala, posso não concordar, mas respeito é fundamental.
As minhas vontades sempre tento deixar bem claro, para que não haja equivoco no futuro, embora muitas pessoas escutam uma coisa e façam outra.
Interpretação de texto é o que falta para um bom número de pessoas que acham que são letradas, mas na realidade são alfabetizadas, nada mais...


terça-feira, 3 de julho de 2012

O tempo que passa


Imagem do Google

O segundo semestre foi iniciado. O tempo avança. Às vezes fico em dúvida: as pessoas correm demais ou os dias andam depressa? Evidente que o ritmo tem acelerado a vida de todos. O tempo segue a normalidade. Nunca encontraremos um minuto tentando agilizar os seus respectivos 60 segundos. Por outro lado, aumentaram os compromissos e as horas acabaram parecendo escassas. Não podemos culpar o tempo. Lamentar até que é aceitável. Mas em nada ajuda.

Convém olhar mais para a vida do que para o relógio. Viver não é somente fazer. Ocupações são inevitáveis. O volume pode ser dimensionado, elencando prioridades. Penso que jamais teremos tempo suficiente para tudo. Mas com o tempo que dispomos, dá para fazer muito, sem comprometer o físico e o emocional. Quando tudo é urgente, desqualifica-se o essencial. Há os que se perdem no trivial e já não sabem por onde avançar.

O tempo passa. Não tem por que se angustiar. Muitos organizam-se a partir das buscas e distribuem ao longo dos dias e anos o que desejam fazer. Simplesmente vivem. Sabem que os anos serão somados, que as marcas se tornarão visíveis. Não apressam e nem retardam o passo. Pelo contrário, imprimem sabor em tudo o que deve ser feito. Evidentemente que são pressionados. Mas administram sem vacilar. Sabedoria exemplar que não dá margem para ansiedade e frustração.

Talvez seja necessária uma vida toda para aprender a dinâmica do viver. Não se trata de tarefa impossível, mas requer habilidade. Depois que os valores ficaram no esquecimento, tornou-se mais difícil humanizar-se. Por muito tempo, exercitamos o ter em detrimento do ser. Passados alguns séculos, pode-se concluir que o ter não conseguiu dar um verdadeiro embasamento ao ser. Não são poucos os que têm coisas, mas convivem com um dramático vazio existencial.

Que o segundo semestre possa favorecer serenidade aos dias que seguirão em contagem regressiva, mas que poderão oportunizar profundas realizações. Depende das escolhas e da criatividade, ao elencar prioridades. Pois, sempre haverá tempo suficiente quando há clareza do caminho da felicidade.

(Frei Jaime Bettega)

domingo, 1 de julho de 2012

sábado, 30 de junho de 2012

Devia e queria



Epitáfio
(Titãs)

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...


Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração...


O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...


Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...


Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...


O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...(2x)


Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Campanha "Meia Véia" -- Blog Casa de Faz de Conta no Maria Paiva Entrevi...



Pessoal, para quem não conhece essa é a Janaína do Blog Casa de faz de conta que tem um Projeto
muito lindo, da Meia Véia.
Aqui no Sul eu segui seus passos e tenho o Projeto Meia Véia-Rio Grande do Sul.
Divulguem, compartilhem para que mais pessoas ajudem e desenvolvam um trabalho junto com ela.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Meus atos eu assumo

Imagem do Google

Sou dona de meus atos, ninguém pode assumir aquilo que falei ou fiz.Sou maior de idade, vacinada e pago impostos(e como?).
O dia que eu não puder assumir qualquer coisa que eu faça, me internem, pois já não posso ser dona de meu próprio nariz.
Meu nariz é grande!
Não suporto quando alguém dá indiretas para pessoas que se relacionam comigo, achando que são responsáveis por mim e por aquilo que digo, faço ou deixo de fazer.
Sou bem grandinha o suficiente para assumir as consequências de meus atos, sou clara, objetiva e transparente.
Pessoas erram, ferem, machucam e acima de tudo são super humanas.
Se estou errada, tenho certeza que posso voltar atrás, mas se opinião não é válida, em que mundo estamos que não podemos opinar sobre algo?
Todos tem direito de opinar sobre uma falha humana, mas em manchar a imagem de uma pessoa é bem diferente, pois isso não está em questão!
Somos passíveis de erros, temos tantas deficiências em nós como nas outras pessoas.
Assumo e assino em baixo, que o que falei está falado, e depois de palavras proferidas não há como voltar, já foi dito, se já machucou,  se já feriu e se já manchou.
Posso lamentar somente.
Mas, um ato é de se pensar...eu posso se eu quiser opinar.
Minha opinião pode não ter fundamentos, mas é minha, não importa se seja com defeitos ou seja perfeita.Imagina se fosse perfeita.Não existe perfeição.
Todos erram, todos julgam, todos condenam, todos machucam, todos ferem, todos perdoam e a maioria esquece!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Poema à boca fechada



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Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça. 
Calado estou, calado ficarei, 
Pois que a língua que falo é de outra raça. 

Palavras consumidas se acumulam, 
Se represam, cisterna de águas mortas, 
Ácidas mágoas em limos transformadas, 
Vaza de fundo em que há raízes tortas. 

Não direi: 
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem, 
Palavras que não digam quanto sei 
Neste retiro em que me não conhecem. 

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, 
Nem só animais bóiam, mortos, medos, 
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam 
No negro poço de onde sobem dedos. 

Só direi, 
Crispadamente recolhido e mudo, 
Que quem se cala quando me calei 
Não poderá morrer sem dizer tudo.

(José Saramago)


domingo, 24 de junho de 2012

Aprendizado do silêncio

Imagem via tumblr


Se as palavras não forem mais bonitas que o silêncio, é melhor não dizer nada. Passei uns dias recordando essa frase. O aprendizado da fala é um caminho um tanto longo. Quanta paciência e insistência da parte dos pais e educadores. Estima-se que são necessários dois anos para que o ser humano aprenda a falar. Às vezes, requer até a ajuda de profissionais para normalizar a comunicação verbal.
A palavra carrega consigo o encantamento. Como é significativa a existência de quem se comunica bem. Não são apenas palavras pronunciadas, mas um eco de vida que resulta da harmonia expressa entre consoantes e vogais. Palavras com sonoridade parece ser o desafio deste mundo com excesso de ruídos, inclusive pela multiplicação de palavras desnecessárias.
Quando alguém perde o controle da palavra e excede-se, corre o risco de ter que administrar atritos e desencontros. Uma vez pronunciada, não haverá retorno. A palavra foi dita. Pronto. Inicia-se um longo caminho de desculpas, explicações e reticências. Em vão. Alguém captou e assimilou um entendimento. Tomara que as palavras sejam sempre adequadas. O entrelaçamento de sentimentos se concretiza também pela harmonia que brota do coração e se transforma em sons.
Por outro lado, é necessária uma vida inteira para aprender a silenciar. A habilidade da palavra certa na hora certa é um desafio. Nem todos alcançam tal grau. Basta prestar atenção para dar-se conta de que as palavras fluem naturalmente, quando há interioridade. Do mesmo modo, conseguem fazer do silêncio a mais bela comunicação aqueles que desenvolvem outras habilidades. A meu ver, é urgente exercitar-se na arte de calar. Ninguém se complica se souber se conter nas palavras.
Palavras deveriam ser a embalagem dos pensamentos. Capazes de expressar algo pensado antes de ser pronunciado. Daí a importância de não expressar nada que não tenha passado pelo crivo da consciência e pela criatividade do coração. Mesmo que seja necessária uma vida inteira para aprender a silenciar, vou continuar esse exercício que engrandece a vida: ouvir, mais do que falar.

(Frei Jaime Bettega)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Iluminar


"Não conseguimos segurar uma tocha para iluminar
o caminho de outra pessoa,sem
clarearmos o nosso próprio."

(Ben Sweetland)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Eu julgo, tu julgas..e quem não julga?

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Por Rose Nânie Heringer da Silva

É bastante complicada esta questão do julgamento. Não deveríamos julgar, não teríamos o direito de julgar e muito menos teríamos, em princípio, capacidade de julgar, uma vez que somos, nós mesmos, cheios de falhas, de vícios, de contradições.Mas quem de nós não julga uma vez na vida?Em seu sentido jurídico, julgar quer dizer tomar uma decisão, proferir uma sentença que absolverá ou condenará. O juiz ou juíza, no exercício de sua função, como o próprio nome diz, julgará um caso, isto é, seu julgamento (sua decisão, sua opinião, seu parecer) será sempre a absolvição ou a condenação. Em seu sentido bíblico, julgar é bastante parecido com o sentido que lhe dá o campo jurídico. Parecido, mas não igual. A admoestação em não julgueis para que não sejais julgados é visivelmente diferente da função de um juiz ou juíza de Direito em seus julgamentos. A admoestação bíblica é: não devemos condenar.Mas para sermos coerentes, se não devemos condenar, devemos absolver? Posto que se não é certo condenar, será certo absolver?Julgar deveria envolver justiça. Se um ato for considerado correto, que se aplique a justiça. Se for incorreto, que se aplique a justiça. Mas como aplicar a justiça? O que entendemos de justiça? Como conseguiremos ser justos, humanos que somos e sempre com tantos sentimentos em jogo?Ser justo é para mim uma das coisas mais difíceis de conseguirmos, porque, no momento em que lidamos com entes queridos, com situações delicadas ou quando não sabemos com absoluta certeza onde está a verdade e onde está a inverdade, seremos bons, seremos caridosos, seremos racionais, seremos razoáveis. Mas nem sempre conseguiremos que se faça justiça. Muito poucas vezes seremos justos.Assim, deixando de lado os sentidos jurídico e bíblico do julgar, analisemos o que realmente acontece com todos nós – ou quase todos – no dia-a-dia. Sempre temos ou formamos uma opinião a respeito de algo ou alguém. Em outras palavras, todos ou quase todos julgamos (e quase inevitavelmente, absolviremos ou condenaremos).Em Pseudologia Fantástica mencionei que dificilmente uma pessoa não tenha dito ao menos uma mentira, uma única, ao longo de sua vida. E agora pergunto quem dentre nós jamais julgou alguém, algum evento, alguma coisa? Quem nunca emitiu um parecer ou formou um conceito a respeito de algo ou alguém? E quem nunca condenou ou absolveu? Digamos que minha discrição seja tamanha que jamais verbalizo as opiniões que formo a respeito de alguém. Por exemplo, acho aquela moça muito desorganizada. Não falo nada, nem para ela nem para ninguém. Tenho esse conceito e fico com ele só para mim. Se cheguei a essa quase perfeição, isto é ótimo, mas é realmente uma quase perfeição, pois ainda que não tenha verbalizado, formei uma opinião e julguei em pensamento. Neste exemplo, como não gosto de desorganização, em pensamento condenei. Vejamos um exemplo totalmente diverso: aquele rapaz é tão popular! Não comento nada com ninguém, apenas penso. Mas ele já está absolvido, porque ou acho a popularidade o máximo ou porque ser popular é uma virtude que eu gostaria de ter. Em pensamento, julguei. Em pensamento, absolvi.Sempre, sempre, ou condenamos ou absolvemos.Uma vez fiquei impressionada com o que disse o autor de um livro quando ele afirmou que o ideal seria que apenas víssemos as coisas ou as pessoas ou os acontecimentos. Sem pensar nada nem em nada. Sem formar opinião. Sem dizer nada. Vejo uma árvore. Apenas vejo. Nada mais. Nenhuma palavra ou pensamento com relação à árvore.Como achei complicado aquilo! Aliás, como acho complicado, porque até hoje não consegui me comportar desta forma. Se vejo uma árvore, no mínimo penso que ela é bonita, frondosa, que dá uma sombra muito agradável. Se vejo uma coisa muito bonita, não consigo apenas ver e não pensar: que coisa linda! E acredito que o mesmo ocorre com essa questão de julgamentos, condenações e absolvições. Condenamos porque tudo o que é diferente do que pensamos não nos agrada. O mesmo raciocínio vale para a absolvição. Os termos mais adequados seriam rejeição e aceitação; porém, usarei aqueles porque julgamento é forte, então deverá ser forte seu veredicto. Todos temos nossas opiniões, isto é natural e inevitável. E saudável. Essas idéias que fazemos das coisas, das pessoas e das situações vão mudando ao longo da vida como resultado de nossas experiências, das lições que aprendemos e através da constatação de que determinadas coisas simplesmente não importam, ou nunca foram realmente importantes ou simplesmente deixaram de importar, pelo menos para nós. Nossas opiniões sempre redundam em condenações ou absolvições. Desta forma, essas condenações ou absolvições também poderão mudar à medida que nossas opiniões forem se modificando. Note bem, usei aqui o verbo poder, ou seja, há a possibilidade de os resultados de nossos julgamentos mudarem. Ou não.Quando conheço determinada pessoa, é mais que natural que comece a avaliar seu comportamento, suas atitudes, seu jeito de falar, suas crenças, suas opiniões. De que outra forma poderei saber se ela é adequada para meu círculo de amizades? De que outra forma poderei, se precisar conviver com ela, seja por que motivo for, tentar os caminhos mais amenos para uma convivência satisfatória? Ou de que outra forma poderia conjecturar a idéia de começar qualquer tipo de relacionamento? Existem os casos de simpatia e antipatia à primeira vista. Mas ainda esses casos muitas vezes podem se revelar da maior ilusão. Porque tanto no que concerne ao súbito sentimento de simpatia ou antipatia, quanto no que diz respeito a julgamentos, tais como julgar a veracidade e a autenticidade de fatos e formar opiniões e conceitos, nem sempre a primeira impressão (que dizem que fica) é a verdadeira, como nem sempre é certo que as aparências sempre enganam.Por tudo isto, creio que quando se diz que não se deve condenar, também acredito que não se deva absolver. Se condenar ou absolver, terei como base única e exclusivamente as MINHAS verdades, tudo aquilo que EU acho ser o correto. Condenarei ou absolverei com fundamento no que aprendi e nas minhas opiniões DE AGORA. Todavia, quem sabe qual será minha opinião daqui a alguns dias, ou meses ou anos? Quem sabe qual seria, hoje mesmo, no presente, minha atitude se estivesse no lugar daquele que agora é meu julgado e condenado, ou julgado e absolvido?Talvez, o correto, já que somos humanos e com tantas virtudes a apreender e tantos vícios a eliminar, seja exatamente observarmos as diferenças para NOS julgarmos, ou melhor, NOS AVALIARMOS, e vermos o que precisamos fazer com relação ao resultado dessa nossa avaliação.É importante que se diga, neste ponto, que não estou querendo dizer que doravante ninguém mais vai falar nada, que ninguém vai fazer uma crítica construtiva, dar um toque quando achar que o outro cometeu algum equívoco ou que vamos todos nos calar e observar, observar e nos calar. Não quero dizer, tampouco que viveremos a lucubrar, a nos afastar, a procurar dentro de nós o pior, porque estamos certos de existir o pior dentro de nós, para nos crucificarmos, ou descobrir o melhor, porque sabemos que existe muita coisa boa, para nos valermos disto e nos perdoarmos sempre. Não é isto. Viver é aprender, é ensinar, é interagir. Estamos neste mundo para viver, desistir, insistir, perseverar, errar, acertar, aprender, ensinar, corrigir, construir, demolir e reconstruir. Viver é muitas vezes chegar a pensar que não há mais solução, e ainda assim reunir forças, esperança e uma dose de alegria e bom humor para recomeçar.O que quero dizer é que não adianta apenas ficarmos com o dedo apontado para os outros ou, de outro lado, com uma espada sobre nossas próprias cabeças. Talvez fosse mais salutar não sermos totalmente transigentes nem totalmente intransigentes. Nem com o outro nem conosco.A mudança é um fato. Não pensamos hoje como pensávamos há dez ou vinte anos. Com toda a certeza não pensaremos daqui a dez ou vinte anos como pensamos hoje. O que também não quer dizer que tenhamos nos transformado totalmente ou que nos transformaremos totalmente. Fala-se aqui de mudança (tão natural quanto inevitável), não de transformação (casos extremos).Por isto, por causa da flexibilidade da vida, antes de julgarmos (condenarmos ou absolvermos) com base apenas nos nosso valores, nos valores vigentes, nos valores dos nossos amigos, da nossa família, da nossa religião, deveríamos sempre nos lembrar de que no passado podemos ter adotado aquele modo de pensar ou que podemos ter tido mesmíssima reação diante de determinadas situações.Deveríamos parar e avaliar os motivos subjacentes a uma determinada atitude, omissão ou opinião. Além do mais, quem sabe se no futuro também não estaremos pensando da mesma forma que aquela outra pessoa está pensando agora, seja porque teremos aprendido com alguma experiência que a vida nos reservou, seja porque teremos percebido algo de incorreto em nossa maneira de viver?Não acho que seja demais observarmos, avaliarmos, abrirmos a mente quando necessário se fizer e prosseguirmos. Apenas prosseguirmos. Melhores, mudados, conscientes.Se alguma atitude mexeu tanto comigo a ponto de me fazer julgar de imediato, é porque talvez seja o momento de rever minhas crenças, opiniões e atitudes. Se me chocou tanto, se me contrariou tanto, por que não aproveito o momento para me questionar?Acredito que tanto a admoestação bíblica, para que não julguemos, como o que disse o Cristo com relação aos que queriam apedrejar Maria Madalena – “Quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra” – contêm em seu âmago a mensagem maior, que vai muito além de nos rendermos às nossas limitações.Em minha interpretação, a mensagem é que devemos pensar, avaliar e repensar opiniões, conceitos e “pecados”, e não simplesmente jogar as pedras no chão e seguir em frente, como se nada de diferente tivesse acontecido antes de pegarmos as pedras e depois que tivemos que jogá-las fora.Alguma mudança terá início a partir de então. E só desta forma prosseguiremos. Melhores, mudados, conscientes. Tendo aprendido a lição de que não se deve condenar nem absolver, mas tomar atitudes sérias e menos vaidosas ou levianas: julgar apenas para modificar o que estar errado. E assim prosseguiremos para novas mudanças que virão após novos julgamentos construtivos.