Imagem via tumblr
Se as palavras não forem mais bonitas que o silêncio, é melhor não dizer nada. Passei uns dias recordando essa frase. O aprendizado da fala é um caminho um tanto longo. Quanta paciência e insistência da parte dos pais e educadores. Estima-se que são necessários dois anos para que o ser humano aprenda a falar. Às vezes, requer até a ajuda de profissionais para normalizar a comunicação verbal.
A palavra carrega consigo o encantamento. Como é significativa a existência de quem se comunica bem. Não são apenas palavras pronunciadas, mas um eco de vida que resulta da harmonia expressa entre consoantes e vogais. Palavras com sonoridade parece ser o desafio deste mundo com excesso de ruídos, inclusive pela multiplicação de palavras desnecessárias.
Quando alguém perde o controle da palavra e excede-se, corre o risco de ter que administrar atritos e desencontros. Uma vez pronunciada, não haverá retorno. A palavra foi dita. Pronto. Inicia-se um longo caminho de desculpas, explicações e reticências. Em vão. Alguém captou e assimilou um entendimento. Tomara que as palavras sejam sempre adequadas. O entrelaçamento de sentimentos se concretiza também pela harmonia que brota do coração e se transforma em sons.
Por outro lado, é necessária uma vida inteira para aprender a silenciar. A habilidade da palavra certa na hora certa é um desafio. Nem todos alcançam tal grau. Basta prestar atenção para dar-se conta de que as palavras fluem naturalmente, quando há interioridade. Do mesmo modo, conseguem fazer do silêncio a mais bela comunicação aqueles que desenvolvem outras habilidades. A meu ver, é urgente exercitar-se na arte de calar. Ninguém se complica se souber se conter nas palavras.
Palavras deveriam ser a embalagem dos pensamentos. Capazes de expressar algo pensado antes de ser pronunciado. Daí a importância de não expressar nada que não tenha passado pelo crivo da consciência e pela criatividade do coração. Mesmo que seja necessária uma vida inteira para aprender a silenciar, vou continuar esse exercício que engrandece a vida: ouvir, mais do que falar.
(Frei Jaime Bettega)











